A viagem de Bolonha ao Brasil

 

 

Com a assinatura do Tratado de Madri no dia 13 de janeiro de 1750, se constitui uma Comissão bilateral para a definição das novas fronteiras entre Portugal e Espanha nas terras da América do Sul.

Grande protagonista é o Ministro do Exterior Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como Marques de Pombal, figura chave do governo português de 1750 até 1777 e perfeito exemplo de absolutismo iluminado. Subindo ao poder o Ministro atribui grande importância à demarcação dos confins, e desta competência encarrega seu irmão Francisco Xavier de Mendonça Furtado, Governador do Estado do Grão Pará e do Maranhão.

Em Portugal, porém, faltam técnicos. O padre carmelita João Álvares Gusmão foi encarregado pela Coroa do recrutamento dos técnicos “católicos” para a comissão portuguesa. Foi expressamente indicado de excluir espanhóis, franceses e holandeses, os ingleses somente se fossem católicos, assim como napolitanos, sicilianos e parmenses porque dependentes da Espanha. Na Itália as áreas favoráveis aos portugueses são aquelas de Roma, Milão, Veneza, Florença, Bolonha e Pádua. Bolonha, com uma universidade onde florescem os estudos matemáticos, é uma das metas para a procura de astrônomos, geógrafos, engenheiros e desenhistas.

Landi, com sua sólida formação técnica decide ir procurar melhores oportunidades de trabalho no Brasil. Aceita assim o convite do Rei de Portugal para ser desenhador de cartas geográficas juntamente com o padre Giovanni Ângelo Brunelli, astrônomo e matemático bolonhes. Suas competências são complementares. Um observa as estrelas, o outro reproduz as imagens da terra, da flora e da fauna.
Os desenhadores devem, não somente relevar e traçar cartas geográficas, mas também representar vistas dos lugares mais representativos, animais, plantas, índios e outros sujeitos que merecem atenção.

Dia 18 de julho de 1750 os técnicos contratados estão em Gênova esperando a partida para Lisboa. O grupo compreende 16 pessoas, dos quais cinco são italianos e entre estes estão Landi e Brunelli. Os outros componentes foram encontrados em Mántua, Gênova, Milão e Basiléia e são matemáticos, geógrafos, astrônomos, médicos e engenheiros. Esta mistura de competências faz surgir dúvidas sobre as verdadeiras intenções do governo português, que mantém em segredo tudo quanto se refere à Comissão. Correm boatos que o verdadeiro motivo da operação seja a transferência da Corte para a colônia, para Belém. A situação política da Europa de então era tal que o pequeno Portugal se sentia ameaçado pela vizinha Espanha.

Dia 24 de agosto de1750 têm-se testemunho da presença de Landi em Lisboa.

A morte de D. João V no dia 31 de julho do mesmo ano juntamente com outras dificuldades e contratempos retardam a partida por três anos. Esta permanência imprevista coincide com os primeiros anos do reino de D. José I, dito O Reformador.

Finalmente dia 2 de junho de 1753 a “Comissão para a demarcação das fronteiras” guiada por Francisco Xavier de Mendonça Furtado parte para Belém aonde chega dia 19 de julho. Quando o navio chega ao porto de Belém, capital do estado do Pará e desembocadura da Amazônia, aos olhos de Landi aparece o mundo vigoroso da floresta. Um mundo magnífico, que se casa perfeitamente com as volutas floreais e as formas sinuosas do barroco. A selva com suas árvores entrelaçadas, os rios, os pássaros coloridos, parece um pano de fundo novo e diferente. Aqui tudo é novo e a Landi nada mais resta que trazer Bolonha para o coração da Amazônia: trazer Bolonha para a floresta, como um véu transparente de arquiteturas pintadas.

É no Brasil que assim emerge a sua contribuição. A Landi - o “Bibiena do Equador” - se devem numerosas obras, desde o plano urbanístico da vila de Chaves as arquiteturas religiosas de Belém, capital do Pará, que se tornarão modelos das igrejas amazônicas, até aos aparatos efêmeros e comemorativos da monarquia lusitana.